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Juros altos é ‘remédio amargo’, desacelera a produção industrial e traz risco para o aumento da inadimplência

Publicado em 06/02/22

Entidades criticam escalada da Selic para dois dígitos e afirmam que fatores que levam a inflação para cima não são arrefecidos pela estratégia da autoridade monetária.

A volta dos juros para os dois dígitos após nova alta do Banco Central (BC) aumenta os desafios para a recuperação da economia ao impactar na desaceleração do consumo, no aumento da inadimplência e na retração da produção industrial. A elevação da Selic para 10,75% ao ano na semana passada — o maior patamar desde 2017 — e a sinalização de novo aumento no mês que vem acendem o alerta em diversos setores econômicos e reforçam as críticas de que a autoridade monetária adota uma postura excessiva na condução da política monetária. Para representantes da indústria, do comércio e da gestão de empresas, a indicação de que a taxa básica vai extrapolar a casa dos 12% neste semestre significa que o “remédio amargo” ministrado pelo BC para trazer a inflação para a meta está levado ao overkill, ou seja, um quadro em que a dose é exagerada e causa a morte do paciente.